sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Reflexão Semanal

Esta semana decorreu de forma mais tranquila do que a anterior. Começámo-la com a aplicação de questionários de Avaliação da Lei do Tabaco em estabelecimentos de Restauração ou Bebidas localizados na área circundante de alguns estabelecimentos escolares. Posteriormente foi feita a análise dos questionários aplicados. 
 Foram, também, realizadas vistorias a Estabelecimentos de Restauração e Bebidas decorrentes de processos pendentes. De acordo com o Decreto-Lei nº 48/2011, de 1 de Abril (Licenciamento Zero), as vistorias para licenciamento deixam de ser necessárias.                    
Caros leitores, as publicações alusivas às actividades realizadas na semana anterior serão brevemente disponibilizados, pois passarão a ter um formato científico adicional.         
   
       
Bom fim-de-semana,

Inês Inácio

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Reflexão Semanal


No decorrer da semana que está a terminar foram desenvolvidas actividades, essencialmente, no âmbito da vigilância de águas, tanto de piscinas como de consumo humano.
       Foram feitas, mais uma vez colheitas de amostras de água em piscinas aquecidas. Posteriormente, foram também realizadas colheitas de amostras de água destinada ao consumo humano, em diversos pontos considerados representativos.
No decorrer da semana tivemos ainda a oportunidade de poder acompanhar acções de vigilância e de controlo para colheita de amostras de água mineral natural. Esta água mineral natural é utilizada não só para engarrafamento (comercialização), como também para fins terapêuticos e medicinais. Esta foi uma experiência enriquecedora, tendo-me sido dado a conhecer uma “vertente de águas” que desconhecia, apesar de neste dia não me encontrar na melhor forma, pois estava doente.

A corrente semana mostrou-se algo complicada por me encontrar doente, como já referi. No entanto gostei bastante do seu desenvolvimento, pois pude realizar colheitas de amostras de águas (com a minha colega de estágio) sob o olhar atento da nossa orientadora de estágio e experienciar de uma forma que desconhecia um Estabelecimento Termal.


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Programa REVIVE (Rede de Vigilância de Vectores)


      O REVIVE surgiu da necessidade de promover um dispositivo de vigilância de vectores culicídeos por parte da Direcção Geral de Saúde. O programa, que teve início em 2008 encontra-se sediado no Centro de Estudos de vectores e Doenças Infecciosas (CEVDI) do Instituto Nacional de Saúde (INSA) e pretende responder à necessidade de melhorar o conhecimento sobre as espécies de vectores existentes no país, bem como a sua distribuição e abundância. Assim, deverá contribuir para o esclarecimento do papel dos vectores como agentes de transmissão e detectar atempadamente introduções de espécies invasoras relevantes em matéria de Saúde Pública.

 Assim, deverá ser privilegiada a prevenção, em detrimento da resposta à emergência, pois a vigilância permite detectar atempadamente qualquer alteração na abundância, diversidade e papel do vector, levando as autoridades a adoptar medidas que contribuam para a protecção da Saúde Pública.
Características do Programa
Permite de forma contínua cumprir os seguintes objectivos:

  •   Vigiar a actividade de artrópodes hematófagos, caracterizar as espécies e a ocorrência sazonal em locais previamente seleccionados;
  •   Identificar agentes patogénicos importantes em Saúde Pública transmitidos por estes vectores;
  •     Emitir alertas para a adequação das medidas de controlo, em função da densidade dos vectores e do nível de infecção

O REVIVE contribui regularmente para a rede de vigilância de vectores a nível de toda a Europa e para o Programme on emerging and vector-borne diseases, criados pelo European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC).

   O INSA como entidade competente na vigilância, formação e disseminação de informação sobre este assunto, através do CEVDI, tem vindo a desenvolver estas actividades, ao longo dos anos, actividades dirigidas especialmente aos Técnicos de Saúde Ambiental (que participam nas capturas em todo o país).
 Fonte: REVIVE – Rede de Vigilância de Vectores; Instituto Nacional de Saúde, Doutor Ricardo Jorge.

Metodologias

  •   Os métodos de colheita não podem ser universalmente aplicados a todas as espécies de mosquitos (por exemplo, as armadilhas com luz não atraem as espécies diurnas, o isco humano só colhe espécies antropofílicas sendo muito difícil aceder aos refúgios de adultos). Por outro lado, os estádios imaturos – aquáticos – são fáceis de localizar o que simplifica a colheita.
Colheitas

No âmbito do REVIVE, as armadilhas seleccionadas são do tipo CDC iscadas com CO2 e aspiradores para captura de culicídeos vivos, sendo estes processados para a pesquisa de agentes infecciosos.
A periodicidade da amostragem é variável de acordo com os objectivos dos projectos. Em Portugal, o período mais significativo para a presença de mosquitos ocorre de Maio a Outubro, tendo sido este período seleccionado para as colheitas, não excluindo, no entanto, a probabilidade, de ocorrência de mosquitos noutros períodos do ano devido às alterações climáticas.
    Fonte: Relatório REVIVE 2012 – Culicídeos; Instituto Nacional de Saúde, Doutor Ricardo Jorge.

Exemplo de Colheita de mosquitos realizada no âmbito do Estágio Curricular
     1.     Produção de gelo seco;
  















2.    Colocação de armadilhas;
 











Outras Fontes:









Vigilância Microbiológica de Refeições em Refeitórios Escolares



A Segurança Alimentar e Nutricional é definida como o direito de todas as pessoas ao acesso regular e permanente a uma alimentação saudável, ou seja, a alimentos de qualidade nutricional e hígio-sanitária adequadas e em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. A alimentação deve ser baseada em práticas alimentares promotoras de saúde, deve respeitar a diversidade cultural e social e deve ser económica e ambientalmente sustentável. (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, 2007)


A maioria das doenças transmitidas por alimentos é de origem microbiológica, geralmente originadas por manipulações inadequadas, infecções cruzadas, confecção ou conservação deficientes.                                      
Infecções Alimentares – Doenças provocadas por microorganismos;

Toxinfecções Alimentares – Doenças provocadas pelas toxinas presentes nos microorganismos.

Legislação Aplicável
  De acordo com o disposto no artigo 4ºdo Decreto-Lei nº399 A/84 de 28 de Dezembro, compete às “Câmaras Municipais, em matéria de refeitórios (…), deliberar sobre a criação, manutenção e administração dos refeitórios escolares (…), deliberar sobre as condições de acesso ao refeitório de utentes que não pertençam ao estabelecimento de ensino, onde o mesmo se integra (…).”
O Regulamento 852/2004 de 29 de Abril pronuncia-se sobre a higiene dos géneros alimentícios.
O Regulamento 178/2002 de 28 de Janeiro “determina os princípios e normas gerais da legislação alimentar, cria a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos e estabelece procedimentos em matéria de segurança dos géneros alimentícios”.

A Lei nº16/2010 de 30 de Julho “excepciona os bares, cantinas e refeitórios das associações sem fins lucrativos do regime geral de licenciamento.

De acordo com o Decreto-Lei nº82/2009 de 2 de Abril,
 na sua última redacção, dada pelo Decreto-Lei nº135/2013 de 4 de Outubro, compete às Autoridades de Saúde vigiar o "nível sanitário dos aglomerados populacionais, dos serviços, estabelecimentos e locais de utilização pública e determinar as medidas correctivas necessárias à defesa da Saúde Pública".



Programa de Promoção da Qualidade Microbiológica das Refeições em Estabelecimentos de Educação (PPQMREE)               

O Departamento de Saúde Pública propõe, para o horizonte temporal de 2011/2016, o desenvolvimento de um Programa de Promoção da Qualidade Microbiológica das Refeições em Estabelecimentos de Educação, através de um sistema de vigilância microbiológica.
Objectivo do Programa: Promover a qualidade microbiológica das refeições nas escolas da rede pública do Ensino Pré-Escolar e Ensino Básico do 1º Ciclo.


Especificamente
 Monitorizar a qualidade microbiológica das refeições fornecidas nas escolas da rede pública do Ensino Pré-Escolar e Ensino Básico do 1º Ciclo;
             Identificar situações de risco e determinar as respectivas medidas correctivas;
              Promover a formação de manipuladores de alimentos.



   Instituições Envolvidas

·        Departamento de Saúde Pública da ARS Algarve, IP/Unidades de Saúde Pública dos ACES do Algarve;
·        Autarquias;
·        Direcção Regional de Educação do Algarve/Agrupamento de Escolas.
   Metodologia
Recolha de Amostras de Refeições, aleatoriamente seleccionadas, em Escolas do 1º Ciclo e Pré-Escolar através dos Técnicos de Saúde Ambiental das USP dos respectivos ACES.
Realização de Análises Microbiológicas pelo Laboratório Regional de Saúde Pública para determinação de microorganismos indicadores e patogénicos com vista à avaliação da qualidade hígio-sanitária.
Interpretação das análises microbiológicas e determinação de medidas correctivas pelos Coordenadores das Unidades de Saúde pública dos ACES.
Envio de Resultados à Autarquias e aos Agrupamentos Escolares respectivos.
Promoção da Formação aos manipuladores de alimentos dos refeitórios escolares.



















Recursos Humanos                                 
·        Profissionais do Laboratório Regional de Saúde Pública (LRSP);
·        Técnicos de Saúde Ambiental das USP dos ACES;
·        Nutricionistas e Dietistas dos ACES e DSP da ARS;
·        Médicos de Saúde Pública das USP dos ACES e DSP da ARS.

    Recursos Materiais
         Utensílios para a amostragem das refeições escolares;
         Reagentes e equipamento laboratorial.                                            

      Método de Avaliação

O Programa deverá ser avaliado, não só no término do seu horizonte temporal, como também o deverá ser com uma periodicidade anual, de modo a monitorizar os seguintes indicadores:
·        Nº de refeitórios escolares monitorizados/Nº de refeitórios existentes, relativamente aos que se encontram abrangidos pelo programa;
·        Nº de refeitórios alvo de formação aos manipuladores/Nº de refeitórios monitorizados;
·        Nº de amostras efectuadas/Nº de amostras programadas;
·        Nº de amostras impróprias para consumo/Nº de amostras efectuadas.


Fonte: Programa de Promoção da Qualidade Microbiológica das Refeições Escolares - Departamento de Saúde Pública; ARS Algarve, IP.



Material Necessário e Procedimento a Adoptar para a Realização de Colheitas de Géneros Alimentícios


Tabela 1: Check-list alusiva ao material cujo Técnico se deve fazer acompanhar aquando da colheita de géneros alimentícios.
ESCRITÓRIO
EPI
MATERIAL
de
COLHEITAS
DESINFECTANTE
TRANSPORTE
Impressos
Touca
Sacos de colheitas esterilizados
Álcool
Saco para o material e
equipamento
Marcador
Máscara
Garfos
esterilizados
Algodão ou compressas
Mala isotérmica
Esferográfica
Bata
Facas
esterilizadas
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Termoacumu-ladores
Lápis
Protectores de
calçado
Colheres esterilizadas
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Borracha
Luvas esterili-zadas
Caixa plástica com 1 termoacumulador
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 Fonte: Departamento de Saúde Pública, ARS Algarve (Dra. Maria da Graça Fernandes)


Procedimento
   1.  Limpar e desinfectar a área onde vai ser realizada a colheita, de modo a garantir condições de assepsia;
   2.  Lavar/desinfectar correctamente as mãos;
   3.  Posicionar os utensílios de colheita na área de trabalho, de modo a que a execução da colheita decorra de modo e metódico, impedindo a ocorrência de uma contaminação da amostra durante o processo de recolha;
   4.  Preparar a amostra de modo a facilitar a sua recolha. Durante a preparação da amostra deve:
         a.  Retirar os constituintes da amostra que comprometam a integridade do recipiente de recolha (ex.: espinhas, ossos, etc.), que poderão furar os recipientes plásticos;
          b.  Dividir em pequenas porções, fáceis de recolher higienicamente, os alimentos que se apresentam originalmente em peças de grandes dimensões;
          c.   Realizar a colheita da amostra, minimizando a exposição do interior do recipiente de recolha;
          d.  Fechar o recipiente de recolha, de modo a que fique perfeitamente estanque até à sua abertura no laboratório;
          e.  Identificar correctamente a amostra: local, natureza, data e hora.
   5.  Colocar a amostra colhida em mala térmica, previamente refrigerada com termoacumuladores, de modo a que a amostra seja transportada a uma temperatura compreendida entre 1ºC e 8ºC;   
   6.  Transportar para o laboratório o mais rapidamente possível, devendo iniciar-se a análise no período máximo de 24h, após a recolha.

Fonte: Procedimento de colheita de amostras de refeições prontas a consumir para análise microbiológica - Instituto Nacional de Saúde, Doutor Ricardo Jorge.

Interpretação de Resultados

Após a chegada dos resultados das análises realizadas aos alimentos é necessário proceder à sua interpretação e informação aos respectivos Estabelecimentos de Ensino e à Autarquia.
Existem diversas ferramentas que possibilitam a análise dos resultados; o Excel é uma dessas ferramentas. É possível comparar os resultados obtidos nos diversos Estabelecimentos de Ensino, verificar se há evolução e comparar resultados anualmente, tudo num só documento. É assim possível fazer uma leitura mais abrangente e fácil de todos os resultados considerados necessários, com o intuito de reduzir possíveis focos de doença.

A tabela abaixo é um exemplo da que é utilizada no Centro de Saúde de Silves.






sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Reflexão Semanal


Durante esta semana foram realizadas, novamente, recolha de alimentos em escolas do Ensino Básico e Pré-Escolar, ao abrigo do Programa de Vigilância Microbiológica de Refeições em Estabelecimentos Escolares. Refiro que foram realizadas colheitas, novamente, porque numa anterior semana já se tinha realizado esta actividade. As escolas do concelho de Silves dividem-se em dois Mega-Agrupamentos Silves Sul e Silves Norte, sendo que apenas podem ser feitas recolhas de amostras de alimentos em 3 ou 4 escolas por cada saída (o Laboratório Regional de Saúde Pública dá apoio aos 16 concelhos do Algarve). Aquando da recolha de amostras de alimentos importa compreender as carências que o local apresenta, através do diálogo com os funcionários. Por vezes, os refeitórios não têm disponível desinfectante para frutas/legumes, para além da enorme discrepância que existe entre capacidade da cozinha e a quantidade de refeições confeccionadas diariamente. Por exemplo, existem escolas cuja cozinha foi concebida para serem confeccionadas 60 refeições diárias e são preparadas cerca de 110. Esta é uma realidade muito frequente em diversas escolas, sendo essencial haver um enorme esforço por parte dos funcionários para assegurar o serviço de refeições.
Outra das actividades realizadas foi a colocação de armadilhas para captura de mosquitos, no âmbito do programa REVIVE. Começámos por produzir gelo seco a partir de CO2 (em botija) para colocar junto das armadilhas, com o intuito de simular a respiração humana (pela sublimação do gelo seco) e atrair os mosquitos para o interior da armadilha. De seguida fomos para o terreno colocar as armadilhas em pontos considerados estratégicos. No dia seguinte retirámos as armadilhas, identificámos os respectivos copos colectores com data e local de captura e acondicionamo-los em frio; após o preenchimento dos boletins específicos que contêm a georrefenciação, dados atmosféricos (temperatura, humidade relativa, etc) e características do habitat, o material seguiu para o laboratório a fim de sere analisado. Este é um trabalho realizado em equipa, sendo que me surpreendeu bastante, de forma positiva. Isto porque a expectativa para o trabalho se apresentava reduzida.

Em suma, esta foi mais uma semana em que o balanço foi, deveras, positivo e que me permitiu adquirir conhecimento em áreas que ainda não tinham sido exploradas devidamente, por mim.